14 dez O uso de probióticos nas alergias
Por: Marina Fernandes Rodrigues
CRN9: 20224
Gerente de linha Nutri POC – ECO Diagnóstica
A microbiota intestinal é de suma importância para a manutenção da fisiologia intestinal, mas também para o correto desenvolvimento do sistema imunológico e a indução da tolerância oral, especialmente nas alergias. As evidências cientificas indicam que fatores dietéticos como probióticos, prebióticos, pós-bióticos, antioxidantes, ácidos graxos poli-insaturados, folatos e vitaminas têm efeitos positivos nas funções imunológicas (CASTELLAZZI et al., 2013).
A flora bacteriana é composta por Bacteroides, Clostridia, Enterobacteria, Bifidobacteria e Lactobacilli (CASTELLAZZI et al., 2013). Ela inicia-se logo após o nascimento, com a colonização do lactente, sendo diversos os fatores que interferem nesse processo: tipo de parto, flora intestinal materna, condições de higiene e o tipo de nutrição oferecida, principalmente entre recém-nascidos amamentados e alimentados com fórmula (SOUZA et al., 2010).
De acordo com a OMS, os probióticos são, por definição, “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício para a saúde do hospedeiro”. Os probióticos são microrganismos capazes de alcançar o trato gastrintestinal e alterar a composição da microbiota, produzindo efeitos benéficos à saúde quando consumidos em quantidades adequadas e mostram a capacidade de restaurar o equilíbrio microbiano intestinal e modular a ativação das células do sistema imunológico (CASTELLAZZI et al., 2013).
Os efeitos estão direta e exclusivamente relacionados ao tipo da cepa utilizada. Para ser aplicada como probiótico, a bactéria precisa ter identificação internacionalmente conhecida (espécie e subespécie da cepa); resistir à acidez gástrica e à ação dos sais biliares; possuir efeitos benéficos ao hospedeiro demonstrados in vivo e in vitro por meio de uma dose conhecida; ter capacidade de adesão ao muco ou epitélio intestinal; apresentar segurança comprovada (baixo risco de infecção sistêmica e de produção de toxinas deletérias, não oferecer estímulo excessivo à resposta imunológica e não possibilitar a transferência de genes entre micro-organismos) e possuir a garantia da manutenção da viabilidade até o momento do consumo na forma de cápsula, pó ou quando adicionada a produtos lácteos (SOUZA et al., 2010).
Principais micro-organismos utilizados por suas propriedades probióticas:
Lactobacilli
Lactobacillus acidophillus sp.; L. acidophilus LA-1*
L. casei sp.*; L. rhamnosus GG*
L. reuteri*
L. delbrueckii subs.*; bulgaricus
L. plantarum sp.; L. plantarum 299V
L. fermentum KLD
L. johnsonii
Bifidobacteria
Bifidobacteirum bifidum
B. lactis Bb-12
B. breve
B. infantis
B. longum
Outras bactérias
Enterococcus faecium
Escherichia coli Nissle 1917
Streptococcus salivarius subsp. Termophilus
Fungo
Saccharomyces boulardii
*Cepas que têm sido utilizadas na prevenção e tratamento das doenças alérgicas. Modificado de Zuccotti et al.
Mecanismo de ação dos probióticos
É amplamente aceito que a exposição precoce a alérgenos ambientais pode influenciar a maturação do sistema imunológico e a possível predisposição para o desenvolvimento de doenças imunomediadas, como doenças autoimunes ou alérgicas. O intestino, além de suas atividades digestivas e absorventes, também desempenha um papel fundamental no sistema imunológico. Parte da barreira intestinal é composta por microflora bacteriana, que promove a fisiologia intestinal e fornece proteção contra patógenos externos. Além disso, a microflora intestinal é a fonte mais importante de estimulação microbiana e desempenha um papel central na maturação do sistema imunológico e na manutenção da homeostase intestinal (CASTELLAZZI et al., 2013).
Os mecanismos exatos pelos quais os probióticos agem não estão completamente estabelecidos, mas presume-se que sua ação esteja relacionada à modulação da microbiota intestinal, além da melhora da barreira da mucosa intestinal, impedindo a passagem dos antígenos para a corrente sanguínea. A modulação direta do sistema imunológico pode ser secundária à indução de citocinas anti-inflamatórias ou pelo aumento da produção de IgA secretora.
Na regulação da resposta imunológica, tanto os linfócitos Th1 como os Th3 funcionam como fatores de estímulo para a produção de IgA pelas células B. A IgA contribui para a proteção do ambiente gastrintestinal contra micro-organismos patogênicos e algumas substâncias liberadas pelos linfócitos Th1, denominadas citocinas, reduzem processos inflamatórios locais e estimulam a tolerância do organismo aos antígenos comuns (CASTELLAZZI et al., 2013).
Os probióticos são coadjuvantes ao tratamento de hipersensibilidades alimentares, em especial as alergias. A prescrição e uso deve ser analisada e associada a clínica do paciente. O uso sem recomendação médica e nutricional não é aconselhável para o tratamento de alergia.
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Referências bibliográficas:
CASTELLAZZI, Anna Maria et al. Probiotics and food allergy. Italian Journal of Pediatrics, [S. l.], p. 1-10, 29 jul. 2013.
SOUZA, Fabíola Suano et al. Prebiotics, probiotics and symbiotics on prevention and treatment of allergic diseases. Revista Paulista de Pediatria, [S. l.], p. 89-97, 1 mar. 2010.
Zuccotti GV, Meneghin F, Raimondi C, Dilillo D, Agostoni C, Riva E et al. Probiotics in clinical practice: an overview. J Int Med Res 2008;36:1A-53.
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